As built é o conjunto de documentos que registra a obra conforme ela foi efetivamente executada. Plantas, memoriais, especificações, modelos e outros arquivos são revisados para incorporar as alterações realizadas durante a construção e representar a condição entregue.
Esse registro serve de referência para operação, manutenção, reformas, ampliações, regularização e futuras decisões técnicas. Para ser confiável, porém, não basta redesenhar o projeto no encerramento: as mudanças precisam ser registradas, verificadas em campo, compatibilizadas entre disciplinas e aprovadas segundo critérios definidos para o empreendimento.
Neste guia, você verá o que deve constar no as built, quando ele pode ser exigido, quem participa da elaboração e como conectar as alterações executadas ao controle de prazo, custo e caixa.
A expressão inglesa as built significa “como construído”. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil define o cadastro como construído como a atividade técnica de revisar os elementos do projeto em conformidade com o que foi executado, durante e após a conclusão da obra ou do serviço. O objetivo inclui apoiar regularização, atualização e manutenção.
Na prática, o as built funciona como uma base técnica da condição final. Ele deve mostrar o que existe de fato, inclusive alterações de posição, dimensão, especificação, percurso ou solução construtiva que tenham sido incorporadas à obra. O conteúdo varia conforme o tipo de empreendimento, as disciplinas envolvidas, o contrato e as exigências do órgão competente.
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Documento |
Função principal |
Momento de consolidação |
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Projeto executivo |
Detalhar a solução prevista para orientar a execução. |
Antes e durante a obra, conforme o processo de projeto. |
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Registro de alteração |
Documentar uma mudança proposta, aprovada ou executada e sua justificativa. |
Durante a obra. |
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As built |
Representar a condição efetivamente construída e entregue. |
Atualizado durante a execução e fechado após verificação final. |
Também não se deve confundir as built com um simples levantamento de uma edificação existente. O levantamento registra uma condição observada; o as built consolida a configuração executada dentro de um processo de obra, com histórico, responsabilidades, revisões e critérios de aceite.
A utilidade do documento depende da qualidade dos registros e do uso que será feito deles. Entre as aplicações mais comuns estão:
Em obras públicas, o Tribunal de Contas da União orienta que a documentação final represente fielmente o que foi construído e inclua plantas, memoriais e especificações. O TCU também indica que a exigência de entrega deve estar prevista no edital. Em empreendimentos privados, é preciso verificar contrato, legislação local, aprovações e exigências específicas do ativo.
Fonte: Obras públicas em 10 passos do TCU.
Não existe uma resposta única para qualquer obra. A obrigação pode decorrer do contrato, do edital, da legislação municipal, de exigências para aprovação ou regularização, de normas aplicáveis ao sistema e das condições de recebimento do empreendimento. Por isso, a equipe deve confirmar o que se aplica ao local, ao tipo de obra e às disciplinas contratadas.
A série ABNT NBR 14645 trata da elaboração do “como construído” para edificações em escopos de levantamento cadastral, registro e controle dimensional. Ela é uma referência importante, mas não deve ser citada como se definisse sozinha todo o conteúdo de qualquer dossiê as built. Antes de publicar especificações ou contratar o serviço, consulte a edição e a situação vigentes no Catálogo ABNT e as demais normas pertinentes a cada sistema.
Como atividade técnica, o serviço deve ser conduzido por profissional legalmente habilitado dentro de suas atribuições. A responsabilidade precisa ser formalizada conforme o conselho profissional e o escopo aplicável. O Confea informa que a ART deve ser registrada antes do início da efetiva execução da obra ou prestação do serviço técnico e complementada ou substituída quando o contrato for alterado; para arquitetura e urbanismo, deve-se verificar o RRT correspondente.
Fonte: orientação do Confea sobre ART.
O pacote deve ser definido por disciplina e finalidade. Dependendo do empreendimento, pode reunir:
Nem todo documento do dossiê é, isoladamente, um desenho as built. Relatórios de ensaio, comissionamento, certificados, fotos e registros de inspeção podem funcionar como evidências da condição entregue. O índice mestre deve indicar o que foi previsto, o que foi entregue, a revisão vigente e o responsável por cada item.
1. Defina requisitos e critérios de aceite. Liste disciplinas, entregáveis, formatos, nível de detalhe, referências, responsáveis e aprovações. Faça isso antes da mobilização ou no início da obra, não apenas na entrega.
2. Organize o controle de versões. Adote uma identificação única para arquivos e revisões. Separe claramente projeto liberado para execução, registro de campo, alteração aprovada e documento final.
3. Registre as mudanças enquanto acontecem. Mantenha anotações de campo, croquis, solicitações, aprovações, fotos, medições e referências aos documentos afetados. Registros contemporâneos reduzem a dependência de memória no fechamento.
4. Verifique a condição executada. Faça levantamento de campo com método e precisão compatíveis com o uso pretendido. Elementos ocultos precisam ser documentados antes de serem fechados ou validados por evidências adequadas.
5. Atualize cada disciplina. Incorpore as alterações às plantas, diagramas, modelos, memoriais e listas. Use convenções de revisão e remova ambiguidades entre o que foi projetado e o que foi instalado.
6. Compatibilize as informações. Confira interfaces entre arquitetura, estrutura e instalações. Uma alteração em uma disciplina pode exigir atualização de outras peças e do índice mestre.
7. Faça revisão técnica e amostragem em campo. Compare documentos com a condição observável e com os registros de execução. Divergências sistemáticas pedem ampliação da verificação, não correção pontual sem investigar a causa.
8. Formalize responsabilidade e aceite. Colete assinaturas, registros de responsabilidade técnica e aprovações previstas. O aceite deve indicar ressalvas, pendências e a revisão final entregue.
9. Entregue um pacote utilizável. Inclua índice, arquivos editáveis quando contratados, PDFs, modelos, convenções, manuais e orientações de armazenamento. Defina quem manterá a base após a entrega.
A ferramenta deve ser escolhida de acordo com o escopo, a precisão necessária, o acesso ao local e o formato de entrega. Tecnologia não corrige falta de requisito, validação ou responsabilidade.
Para aprofundar a modelagem e seus usos ao longo do ciclo do empreendimento, leia BIM na construção civil.
O as built é um documento técnico. Ele não substitui orçamento, medições, contratos, diário de obra, aprovações de mudança ou acompanhamento financeiro. Ainda assim, uma alteração física relevante pode mudar quantitativos, contratação, prazo de desembolso e custo final. Por isso, o fluxo de governança deve ligar a mudança técnica à análise financeira correspondente.
Um exemplo simples: a alteração aprovada do percurso de uma rede pode aumentar material, horas de instalação e duração de uma etapa. O as built registra a configuração executada; a medição e os documentos contratuais registram o que foi contratado e pago; o acompanhamento financeiro compara o realizado com o previsto e atualiza as projeções quando necessário. São registros diferentes, mas precisam conversar.
Na Kait, o módulo de Acompanhamento permite comparar previsto e realizado e ajustar projeções com dados reais, apoiando a leitura de desvios no fluxo financeiro e no resultado. Isso complementa o ERP e os controles técnicos da obra; não transforma a plataforma em ferramenta de elaboração de as built.
A elaboração deve ficar sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado, dentro de suas atribuições e do escopo contratado. A participação de projetistas, executores, fiscalização, coordenação e operação varia conforme as disciplinas e a organização do empreendimento.
Os requisitos devem ser definidos antes ou no início da obra, e as alterações devem ser registradas durante a execução. A consolidação final ocorre após o levantamento e a verificação da condição entregue.
Não. O pacote pode incluir plantas, cortes, diagramas, memoriais, especificações, listas, modelos e evidências, conforme o tipo de obra e os requisitos de entrega.
Não. O modelo precisa refletir a condição executada, ter informações compatíveis com o uso previsto e passar por verificação e aceite. Um modelo de projeto que não incorporou as mudanças da obra continua sendo apenas uma referência do que foi projetado.
Não. Ele pode apoiar a rastreabilidade das mudanças físicas, mas custos e pagamentos dependem de orçamento, medições, contratos, notas, aprovações e demais registros financeiros e contratuais.
Um as built confiável não é produzido apenas no encerramento. Ele resulta de requisitos claros, registros feitos durante a execução, verificação em campo, compatibilização entre disciplinas e aceite formal. Quanto melhor esse processo, mais útil será a documentação para manutenção, intervenções futuras e gestão do empreendimento.
Para conectar mudanças de obra à leitura de desvios, custos e caixa, continue com o guia de acompanhamento financeiro de projetos imobiliários.